Sabor com Letras | cozinhadinha
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cozinhadinha

02 jun cozinhadinha

Era assim…
– Três tijolos, gravetos secos, um pedaço de jornal – contabilizo em voz alta. Olho para os lados e continuo: – Está faltando alguma coisa. Deixa eu pensar. Claro! Fósforo, sem isso não tem jeito nem de começar.
Tudo preparado. Agora é só chamar a mãe para fornecer os ingredientes para iniciarmos nossa primeira de muitas aventuras pelo pequeno universo mágico da cozinha. O local era sempre o mesmo, debaixo de velho pé de limão capeta, ou limão rosa ou de cheiro, como é conhecido em alguns lugares.
– Eu monto o fogão – digo com ar de seriedade, com a certeza de quem sabe o que está fazendo.
Um tijolo de cimento em frente ao outro e um no fundo para não deixar o fogo escapar.
– Está pronto! Agora é só atear fogo. Faço um chumaço de jornal, risco o fósforo e peço para que os gravetinhos cooperem. Eles atendem.
No cardápio, nada de sofisticação, apenas arroz e batata cozida. O arroz é torrado a la Marineusa, mexendo delicadamente para não queimar, mas cuidando para não quebrar os grãos .
Finalmente, chegou o momento, agora é só colocar a primeira água e testar o sal.
– Acho que deve ir mais um pouquinho, pois a batata que será colocada no meio do arroz para cozinhar, vai puxar o tempero – falo com ar de chef.
Ficamos todas ali, irmãs, meninas, observando numa ansiedade sem fim.
Gritamos a mãe para trazer os pratos e talheres. Esperamos sentadas em cima de tijolos espalhados no chão. A comida é servida com cerimônia, de maneira regrada, um pouquinho só para cada uma, para atender todo mundo. Comemos com imenso apetite.
O arroz tinha gosto de fumaça e ternura. Bonitezas daquele tempo.

6 Comments
  • Nilda Gregório
    Posted at 21:41h, 02 junho Responder

    Lembranças boas, histórias das nossas vidas. Adorei!!!!

  • Rê Gallo
    Posted at 21:02h, 27 junho Responder

    Ôpa! Que cantinho gostoso este seu!! Adorei conhecê-lo e adorei também sua descrição do restaurante sem zum-zum-zum do centrão. É isso mesmo. O Patio do Colegio não parece que está no centro, nem em SP. Bjão.

  • Luciana de Carvalho Dietze
    Posted at 18:27h, 28 junho Responder

    Que lindo blog! Conheci hoje e quanto mais visito, mais gosto! Olha, “cozinhadinha” me levou à infância também! Fazia a mesma coisa, com 3 pequeninas panelas de ferro, cada uma maiorzinha que a outra, assim como as irmãs ao redor do fogãozinho de lenha improvisado. Torcíamos a favor do fogo “não apaga não, falta um pouquinho para o arroz ficar no ponto!” Nas panelas o cardápio era sempre o mesmo : arroz, na maior; farofa de ovo, na média; couve, na pequena. E como vc bem disse, sabor de fumaça e ternura, bem divididinhos para ninguém ficar sem! Adriana, daqui uns dias farei meu blog também, quanta inspiração vc me trouxe, grata demais, Flor!

  • Sabor com Letras
    Posted at 18:33h, 28 junho Responder

    Lu, que bom que o blog te inspirou. Essas memórias são realmente universais e como é bom lembrar. Quando lançar o seu blog, avise-me, faço questão de visitar. Abraços. Adriana.

  • maria muxfeldt basso
    Posted at 15:25h, 18 junho Responder

    Tenho 70 anos e ao oteu blog chorei de emoção .Aprendi a cozinhar com minha bisa eat,e hoje amo o que faço .PARBENS.Umgrande beijo

    • Sabor com Letras
      Posted at 15:36h, 18 junho Responder

      Maria, que coisa boa. Fico muito feliz pelos meus textos terem conseguido te emocionar. Volte mais vezes, a senhora vai sempre encontrar café fresco e boa prosa. Abraços, Adriana

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